Um pensamento sobre meu coração (ainda) partido

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“Você realmente fodeu comigo. Obrigada, obrigada, obrigada.” / Reprodução: Tumblr

Eu odeio o fato de nunca estar preparada quando se trata de você.

Odeio que toda a minha auto-estima e confiança simplesmente descem pelo ralo enquanto penso no porque de você ter me deixado. Tão só, tão vulnerável. Tão digna de pena.

Odeio que a minha história muitas vezes se resuma a pensar nas nossas noites, nos nossos encontros, nas suas piadas e nos nossos beijos.

Odeio nunca ter podido chamar alguém de lar e ter depositado todas as minhas expectativas em cima de uma pessoa que não teve a menor capacidade de não destruir meu coração. Você estava com a faca e o queijo na mão. Você me teve inteira, plena, completamente sua. E jogou fora.

Lembro bem daquela nossa conversa quando resolvemos terminar aquilo que jamais deveria ter começado. “Eu também te amo”, você disse. “Eu não quero sair da sua vida.”

Olhando pra trás, eu devia ter sabido na época que isso era apenas mais uma das suas piadas bobas que eu me contorcia de rir.

Mas essa não teve a menor graça.

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Minha definição do amor

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Reprodução: Tumblr

Geralmente as pessoas tendem a amar as outras pelo que elas representam. Nós estamos acostumados a amar quem nos ama, ou amar quem tem um papel importante nas nossas vidas. Ou seja, as pessoas sempre nos proporcionam algo. Pessoas que nos fazem companhia, pessoas que nos fazem favores, pessoas que fazem de tudo um pouco por nós.

Eu jamais consegui ver o amor dessa forma.

Amar é (definição segundo eu mesma):

  1. Querer que o outro seja feliz. Mesmo não sendo você a fazê-lo feliz.
  2. Se alegrar ao ver o sorriso dessa pessoa. Mesmo não sendo você a proporcionar tal sorriso.
  3. Admirá-la. Enumerar suas qualidades. Se orgulhar de andar ao lado daquela pessoa, e nunca a sua frente. Brilhar, mas deixá-la brilhar e saber ocupar o lugar de coadjuvante, às vezes.
  4. Saber dos defeitos do outro, e mesmo assim, saber que conviveria com eles, porque os defeitos são sua estrutura como pessoa. E você ama essa pessoa (ps: defeitos aceitáveis, por favor. Mau-humor de manhã, não manipulação psicológica).
  5. Sentir-se num estado de êxtase infindável só de estar ao lado do outro. Porém, esse tópico ainda é um objeto de pesquisa pra mim. O que te faz andar de mãos dadas, a paixão, a sensação de borboletas no estômago. E, com o passar do tempo (meses, anos, o tempo é relativo), esse fogo é substituído por aquele amor também caloroso, pelo sentimento de casa em qualquer lugar em que se esteja com essa pessoa.
  6. Saber chorar. E se alegrar por isso. O amor, assim como qualquer outra força cósmica, traz consigo sua dor característica. Apesar de eu concordar completamente com uma citação que li há um tempo, que afirmava que o amor pleno é o amor que se dá com a total emancipação do ser amado. O que nos traz um paradoxo: E o apego? Como não confundirmos apego com amor? Ou com paixão? Ou até carência?

Esse é um ponto interessante que me faz pensar o quanto o mundo seria mais fácil se as pessoas conhecessem a si próprias e soubessem distinguir e definir seus sentimentos. Essa afirmação eu faço com base na observação que tenho feito ao longo de 22 anos de existência. Ou talvez isso seja um exagero. Não passei minha infância e pré-adolescência observando as relações interpessoais à minha volta. Comecei a tomar ciência disso aos 13 anos de idade, aproximadamente. Então, reformulando: essa afirmação eu faço com base na observação que tenho feito ao longo de aproximadamente 9 anos, onde tenho analisado gestos, palavras, reações, começos, términos… Enfim, o simples ato das pessoas se relacionarem entre si. Amores. Paixões. Apegos. Carências. Egoísmos.

E o que venho observando durante esse tempo foi justamente o que apontei nos primeiros parágrafos: As pessoas acham que amam as outras, mas o que se esconde atrás disso tudo é egoísmo. Puro e cru. Apenas egoísmo. Não vejo pessoas se relacionando tendo em mente o objetivo de fazer o outro feliz. Não vejo pessoas se relacionando e realmente ficando felizes só de proporcionarem felicidade ao outro. É cada um por si. Nós estamos com o outro só pra preencher o vazio existencial que assola a cada um de nós. Para dar fim a velha teoria de que somos metades perdidas por aí, procurando infindável e incansavelmente nossas caras-metades, a continuação do nosso ser. E, quando por acaso, por sorte, talvez, encontramos alguém com o qual possamos construir algo, destruímos tudo por egoísmo. Por luta de egos. Por controle e repressão. Por ciúmes do que a pessoa já viveu antes de você e do que ela continua vivendo mesmo estando ao seu lado. Porque simplesmente NÃO CONSEGUIMOS ACEITAR que o outro possua uma vida plena no qual não estamos inclusos. Afinal, ninguém mais morre de amor. Estamos acostumados com o descartável. Não sabemos mais como se ama simplesmente por amar. Não estamos acostumados a ser insubstituíveis. Porque todo mundo substitui todo mundo.

Até onde vai essa busca doentia pela satisfação auto-centrada ao qual nos proporcionamos? Quando vamos aprender a amar sem amarras? Amar sem esperar nada em troca? Amar o outro pelo que ele é, e não pelo que ele proporciona a você.

Amar por amar. Dizer eu te amo, e se sentir feliz por ter dito, mesmo sabendo que não vai te dar nada.

Só amar.

[Obs: Esse é apenas meu ponto de vista, de uma jovem mulher que ama amar e procura catalogar seus sentimentos e verbalizá-los. Longe de mim querer cagar regra nos sentimentos alheios]

[Obs 2: Esse texto foi originalmente escrito há dois anos e sofreu algumas alterações de acordo com as minhas vivências]